Não me recordo ao certo se o ano era 1990 ou 1991. Naquele tempo não havia caixões de fábrica desses que a gente sempre vê nos dias de hoje. Era comum mandar fazer nas próprias serrarias da cidade (Cristino Castro). Na serraria do seu João Gualberto (João Goberto) trabalhava um dos seus filhos, Azarias, que era um exímio fabricante de caixões. Caixões simples envoltos por um tecido geralmente azul claro, mas caixões bem feitos. Era comum mandar fazer o caixão antes mesmo da pessoa falecer caso esta estivesse muito doente, doença terminal. Pois é, num certo dia , por volta de 1990-91, o Azarias recebeu um serviço, fazer um caixão para uma senhora de idade que estava prestes a falecer. Azarias, profissional que era e ainda é, assim o fez. Mas o esperado não aconteceu - a senhora não faleceu. Passou dias, meses e o caixão ficou lá, pendurado na serraria do Seu João Goberto. Naquela época, eu era menino e não saía da serraria do Seu João Goberto, sempre atrás de pedaços...